segunda-feira, 27 de junho de 2011

Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho.

"Aperta minha mão e me diz que eu posso deixar tudo isso pra trás sem tanta dor."

Tati Bernaradi

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto.

(Clarice Lispector)

Esqueço rápido a virtude, é o pecado que me faz pensar.


Carpinejar

"Ele também ri quando eu digo "ah! ele não entendeu nada." e olho pra ele sabendo que ele também não entende, mas pelo menos não vai embora.

"Ou vai mas, sempre volta."


"Não temos ciúmes e nem posse porque somos pra sempre."

"Ele conta do filme que tá fazendo, eu do livro. Os mesmos há mil anos."


"É um exibicionismo orgânico, como se meu silêncio pudesse continuar me vendendo como uma boa pessoa."

"Eu já fui bem bonita numa festa só porque ele queria me fazer de namorada peituda pra provocar a ex mulher."

"Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito."

"E eu sofro porque com pouco tempo não consigo ser melhor que o muito tempo."

"E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores porque estrago antes."


Tati Bernardi

Não tenho nenhum parafuso. Não tenho, não quero e não uso.


Arnaldo Antunes

Uma carta de desamor

Me desculpe por ter tomado a iniciativa. Me desculpe por ter escrito. Me desculpe por ter ligado. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe por ter dito sim. Me desculpe por ter gemido. Me desculpe por ter gozado. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe pelos machucados que sua ex deixou em você. Me desculpe por eu ter vindo logo atrás dela. Me desculpe por querer entender seu silêncio. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe por eu não ter usado máscara. Me desculpe por desejar alguma intensidade. Me desculpe por desejar. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe pelo que foi ruim. Me desculpe pelo que foi bom. Me desculpe pelo atrevimento de supor que eu merecia o que de bom aconteceu. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe por eu ter tirado a roupa. Me desculpe por eu ter mostrado meu corpo. Me desculpe por eu ter gostado de mostrar meu corpo. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe por eu ter escrito coisas lindas para você. Me desculpe por você não ter entendido um terço do que eu escrevi. Me desculpe por você ter me achado ousada demais. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe por, em algum momento, eu ter te amado. Me desculpe por, em algum momento, eu ter te achado bonito. Me desculpe por, em algum momento, eu ter me achado bonita. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe pelos seus erros de português. Me desculpe pelos erros de português da sua nova namorada. Me desculpe pela sua nova namorada achar margarida uma flor pobre. Me desculpe por eu ter voz.

Me desculpe por você torcer para o Palmeiras. Me desculpe se uma barata entrar na sua cozinha algum dia. Me desculpe pelos 130 km de congestionamento em São Paulo agora. Me desculpe por eu ter voz.

Mas, sobretudo, me desculpe por pedir essas ridículas, inúteis e dolorosas desculpas. Que, naturalmente, não são para você, afinal, porcos não reconhecem pérolas.



Stella Florence

terça-feira, 21 de junho de 2011